Somos, fomos e seremos, no fundo de nós mesmos, inexplicáveis. E também imprevisíveis: já que a razão não nos decifra, já que os conceitos não nos enquadram, como poderíamos quantificar a nós mesmos?
E é nessa incapacidade de prever, de explicar ou de controlar nossa própria estadia sobre a Terra que Kierkegaard baseia seu conceito de angústia.
Segundo Kierkegaard, a agústia é o fruto estonteante da liberdade humana.
Parece contraditório a primeira vista, mas o filósofo acreditava apaixonantemente em Deus, porém também afirmava que sua existência não podia ser comprovada pela razão. A divindade de Kierkegaard estava além da inteligência humana - e de nada adiantaria recorrer a Ele em busca de dicas ou soluções para nossos dilemas. Nesse sentido, o livre-arbítrio do ser humano é absoluto e inviolável: Deus jamais interfere em um único ato de suas criaturas, por mais desastrosas que venham a ser suas conseqüências.
A angústia é, precisamente, a consciência dessa liberdade sem freios, sem bordas e sem qualquer segurança - a tontura diante do abismo de possibilidades que se abre diante de nós a cada segundo.
A sabedoria existencial está em aceitar nossa insegurança como a outra face de nossa liberdade - uma espécie de barganha tácita entre Deus e suas criaturas.
(Qualquer reclamação é só ir ao procon cósmico!)
Condenado a dar saltos no escuro, o homem tem de assumir plena responsabilidade pelos inevitáveis erros de sua frágil inteligência.
(Trechos do artigo "O tremor", da Revista Vida simples Agosto/2010)
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Kierkegaard e a angústia

O filósofo dinamarquês Kierkegaard escreveu em um de seus tratados:
"Se o homem fosse um animal ou um anjo, não sentiria angústia. Mas, sendo uma síntese, angustia-se. E tanto mais sente a angústia, quanto mais humano for."
Para o filósofo, a angústia é o fruto estonteante da liberdade humana.
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