Somos, fomos e seremos, no fundo de nós mesmos, inexplicáveis. E também imprevisíveis: já que a razão não nos decifra, já que os conceitos não nos enquadram, como poderíamos quantificar a nós mesmos?
E é nessa incapacidade de prever, de explicar ou de controlar nossa própria estadia sobre a Terra que Kierkegaard baseia seu conceito de angústia.
Segundo Kierkegaard, a agústia é o fruto estonteante da liberdade humana.
Parece contraditório a primeira vista, mas o filósofo acreditava apaixonantemente em Deus, porém também afirmava que sua existência não podia ser comprovada pela razão. A divindade de Kierkegaard estava além da inteligência humana - e de nada adiantaria recorrer a Ele em busca de dicas ou soluções para nossos dilemas. Nesse sentido, o livre-arbítrio do ser humano é absoluto e inviolável: Deus jamais interfere em um único ato de suas criaturas, por mais desastrosas que venham a ser suas conseqüências.
A angústia é, precisamente, a consciência dessa liberdade sem freios, sem bordas e sem qualquer segurança - a tontura diante do abismo de possibilidades que se abre diante de nós a cada segundo.
A sabedoria existencial está em aceitar nossa insegurança como a outra face de nossa liberdade - uma espécie de barganha tácita entre Deus e suas criaturas.
(Qualquer reclamação é só ir ao procon cósmico!)
Condenado a dar saltos no escuro, o homem tem de assumir plena responsabilidade pelos inevitáveis erros de sua frágil inteligência.
(Trechos do artigo "O tremor", da Revista Vida simples Agosto/2010)
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Do denso ao sutil
Então a pergunta que Krishnamurti faz é: O que podemos fazer para promover em nossa própria essência uma revolução total, uma mutação psicológica radical, para não sermos mais brutais, violentos, competitivos, ansiosos, ávidos, invejosos, e para que brote definitivamente a fonte inesgotável do amor e da afeição em nós? Isto é, o que podemos fazer para voltarmos a ser livres como uma criança?
Sua resposta para esta pergunta é: Apenas Olhar, Observar. Prestar atenção verdadeiramente, realmente, em tudo o que está dentro e fora de nós. Ver as correntes que nos prendem, observar os grilhões a que estamos atados, as mentiras, os sonhos, as fantasias. Um encontro cara a cara com a verdade, cada dia mais profundo. E quando aprendermos a olhar de maneira tão sincera e real, disse Krishnamurti, tudo se esclarecerá. As correntes começarão a se desfazer, a visão estará mais límpida e desimpedida.
É claro que, isso pode ser doloroso.
O que Krishnamurti nos propões é sermos como uma criança, uma borboleta que se transformou radicalmente ao abandonar o estágio de larva e lagarta. Essa criança pode viver tranquilamente no mundo, mas não pertencer mais a ele.
É criativa, leve e solta. E feliz. Nada mais a sufoca.
Ela é a única realmente livre. (...)
Embora o pensador indiano não acreditasse no potencial transformador das religiões, pode-se dizer que alguém, ao viver o âmago de um ensinamento espiritual, como Buda ou Jesus, também conquista essa mesma liberdade e pureza. Mas será que nós, pobres mortais, também a atingimos? (...)
A primeira coisa que se torna evidente depois de olhar e observar é que sequer conseguimos seguir o sistema, religião ou ideologia que defendemos com tanto ardor. “Você tem suas inclinações, tendências e pressões peculiares, que colidem com o sistema que julga seguir, portanto, existe uma contradição básica. Você tem assim uma vida dupla, entre a ideologia do sistema e a realidade de sua vida diária”, diz Krishnamurti. No esforço para se ajustar à ideologia (ou religião, ou doutrina), você recalca a si mesmo, seu ser verdadeiro. Sua essência é massacrada por um milhão de vozes: de sua personalidade, da sociedade, de sua própria consciência fragmentada. “No entanto, o que é realmente verdadeiro não é a ideologia, mas aquilo que você é.”
Sua resposta para esta pergunta é: Apenas Olhar, Observar. Prestar atenção verdadeiramente, realmente, em tudo o que está dentro e fora de nós. Ver as correntes que nos prendem, observar os grilhões a que estamos atados, as mentiras, os sonhos, as fantasias. Um encontro cara a cara com a verdade, cada dia mais profundo. E quando aprendermos a olhar de maneira tão sincera e real, disse Krishnamurti, tudo se esclarecerá. As correntes começarão a se desfazer, a visão estará mais límpida e desimpedida.
É claro que, isso pode ser doloroso.
O que Krishnamurti nos propões é sermos como uma criança, uma borboleta que se transformou radicalmente ao abandonar o estágio de larva e lagarta. Essa criança pode viver tranquilamente no mundo, mas não pertencer mais a ele.
É criativa, leve e solta. E feliz. Nada mais a sufoca.
Ela é a única realmente livre. (...)
Embora o pensador indiano não acreditasse no potencial transformador das religiões, pode-se dizer que alguém, ao viver o âmago de um ensinamento espiritual, como Buda ou Jesus, também conquista essa mesma liberdade e pureza. Mas será que nós, pobres mortais, também a atingimos? (...)
A primeira coisa que se torna evidente depois de olhar e observar é que sequer conseguimos seguir o sistema, religião ou ideologia que defendemos com tanto ardor. “Você tem suas inclinações, tendências e pressões peculiares, que colidem com o sistema que julga seguir, portanto, existe uma contradição básica. Você tem assim uma vida dupla, entre a ideologia do sistema e a realidade de sua vida diária”, diz Krishnamurti. No esforço para se ajustar à ideologia (ou religião, ou doutrina), você recalca a si mesmo, seu ser verdadeiro. Sua essência é massacrada por um milhão de vozes: de sua personalidade, da sociedade, de sua própria consciência fragmentada. “No entanto, o que é realmente verdadeiro não é a ideologia, mas aquilo que você é.”
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