
"É sempre bom refletirmos profundamente sobre nossos pontos de vista para sabermos se são nossos de fato ou se foram 'inoculados' pelos instrumentos de pressão de que o meio social dispõe."
(Flávio Gikovate em seu livro A Liberdade Possível)
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:
Resolução de Ano Novo é um compromisso que uma pessoa faz para um projeto ou a reforma de um hábito. O nome vem do fato de que esses compromissos normalmente entram em vigor no Dia de Ano Novo. A minha deste ano foi: não falar de ninguém. Eu sabia que não seria tarefa fácil, afinal, temos a necessidade de comentar com senso crítico a vida dos outros; ou em outras palavras, fazer fofoca.
E Gaiarsa continua: “sempre estaremos ligados a fofocas, ou como vítimas ou como agentes.” E uma coisa é certa, quem não quiser ser vítima de fofoca, o melhor é não fofocar. Ou nas palavras de Sêneca: "Se queres que outrem guarde segredo, guarda-o tu primeiro."
Porém a fofoca nem sempre tem uma conotação ruim ou destrutiva. E em algumas situações temos a responsabilidade de dizer o que sabemos sobre a outra pessoa. Conversar com um amigo sobre o que sentimos por outra pessoa pode ser catártico, uma das razões pela qual precisamos de amigos é ter alguém para nos ouvir...
Krishnamurti em seu livro Aos pés do Mestre nos instrui: “Deves resguardar-te, também, de alguns pequenos desejos que são comuns na vida diária. Nunca deixes brilhar ou parecer inteligente; não tenhas desejo de falar. É bom falar pouco; melhor ainda é nada dizer, a menos que tenha plena certeza de que o que desejas dizer é verdadeiro, amável e útil. Antes de falar, pensa cuidadosamente se o que vais dizer tem essas três qualidades; se assim não for, não o digas. Muitas das conversações ordinárias são desnecessárias e insensatas; quando descem à maledicência tornam-se perversas. Assim, acostuma-te antes a ouvir do que a falar; não dês opiniões a menos que te sejam diretamente solicitadas. Um enunciado das qualificações é assim dado: saber, ousar, querer e calar, e a última das quatro é a mais difícil de todas.”
A razão pela qual o som é tão fundamental na história da criação em tantas culturas pode ser mais bem entendida na tradição védica, no qual o fenômeno do som está no centro da prática espiritual diária. De acordo com os Vedas, o som é a origem de toda a vida, ele está no centro de todos os atos da criação.
Os cientistas descobriram que aquilo que parecia aos sentidos um Universo tangível era, em sua maior parte, espaço vazio. Os antigos sábios foram ainda mais longe e descobriram que os elementos intangíveis do Universo, como pensamentos e emoções, também têm sua base material. Mas a matéria mais sutil, através do qual operam estes elementos, também é, no fundo, apenas um conjunto de vibrações e um arranjo de diferentes tipos de energia. Isto inclui nossos pensamentos. O que temos que compreender e manter em mente é que vibração, forma e consciência estão intimamente relacionadas umas com as outras de todos os modos.
Acessando o poder do som, a pessoa evoca o enorme poder que reside dentro dela, fortalecendo a respiração, energizando a mente e imunizando o corpo, equilibrando e estimulando o prana. É dito que, quando estamos doentes, caímos em um estado de desarmonia com o cosmos. Ao praticarmos a sadhana do som, da música e da voz obtemos acesso às vibrações do Universo – vibrações que podem curar nossos espíritos, mentes e corposMas é só observando o silêncio que compreenderemos a essência do som. Entrar em contato com o espaço vibratório dos sons é por em evidência os silêncios que os criam, que nos cercam. Portanto, quem quiser vivenciar o som, antes disso terá de passar pela experiência do silêncio.